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ATRAVÉS DAS LENTES

ATRAVÉS DAS LENTES

Sr. Antonio

Antonio da Costa Faria, Fi­lho de Leolino da Costa Faria e Altina de Oliveira, nasceu em 26 de dezembro de 1914 na cidade de Bela Vista de Goiás. Passou sua infância nesta cidade, concluiu a 4ª série do ensino fundamental quando então resolve abandonar os estudos para ajudar o seu pai que era marceneiro. Após o falecimento de seu pai, teve de susten­tar a família que era numerosa: a mãe e mais oito irmãos. Aos16 anos de idade, incentivado por Adelino Roque, seu amigo particular, decide se dedicar à profissão de fotógrafo. Saia de Bela Vista de Goiás para a cidade de Anápolis de bicicleta, onde fez o seu primeiro curso profissionalizan­te, trajeto que levava um longo tempo para ser percorrido. Lá tirava as fotos, aprendia a parte teórica e trazia-as para revelar em casa. Na época, a revelação era ainda em preto e branco. Anos depois, em meados dos anos 60, surge o monóculo, cuja reve­lação já era colorida.
Fascinado pela arte de fotografar, resolve então se aperfeiçoar, hospedando em sua casa dois profissionais com o ob­jetivo de lhe ensinar. Tirava as fotografias durante o dia e trabalhava muito durante a noite no processo de revelação, que passa­va por várias etapas até atingir a qualidade de impressão. Como era o único fotógra­fo da cidade, era sempre convidado a fo­tografar em casamentos, batizados, festas nas fazendas e até mesmo em velórios. Usava na época o cavalo como meio de transporte e não via nenhuma dificuldade nisso. Com o surgimento das fotos colori­das impressas em papel, compra então um novo equipamento onde usava filmes es­peciais para impressões coloridas e levava os negativos para serem revelados no Foto Sakura em Goiânia. A fotografia era tudo na vida dele, tinha uma verdadeira paixão pelo que fazia. Foi o que lhe deu condições para criar e manter sua família, era o seu ganha pão!!!
Casou-se pela primeira vez aos 28 anos de idade com a Srª. Nair Ribeiro, com a qual viveu quase 14 anos. Em 1955 veio o segundo casa­mento com a srª. Benedita Garcia Faria com a qual constituiu família e vive até hoje. Dessa união, vieram os filhos Tânia da Costa Faria, Antoninho da Costa Faria, Lana da Costa Faria e Seroni da Costa Fa­ria. Sempre frizou a dignidade como sen­do a maior virtude de um homem, sempre dizia: “Fazer as coisas do seu coração, mas que seja digno.” É um homem de paz, com grande senso de justiça e paciência de sobra. É espírita da linha Kardecista, fre­qüentava o Centro Espírita com assiduida­de e lia o evangelho todos os dias. Hoje já não o faz, impossibilitado pela visão e audição já bastante comprometidos.
Segundo contou-nos sua filha Tânia uma das coisas que mais marcou a vida dele - e isso é algo que veio de famí­lia- foi a música, arte pela qual tinha uma verdadeira admiração. Tinha muita facili­dade em aprender. Estudava partituras nos momentos livres, tocava trombone de vara na banda do município, apresentando-se em praças públicas, inclusive no coreto da praça de nossa cidade, e não hesitava em deixar sua família e sumir no mundo para tocar em festas, eventos políticos e outros.

Sr. Antonio
Aposentou-se aos 70 anos, mas mesmo assim continuou exercendo a sua profissão até os 87 anos de idade com muita competência e profissionalismo. Certa vez entrevistado por um determina­do Jornal de nossa cidade, e questionado sobre os avanços tecnológicos, a mudança de câmeras manuais para as digitais, como encarava isso, se mudaria alguma coisa na sua carreira, ele disse que não! Disse in­clusive que teve a oportunidade de conhe­cer e manusear uma dessas câmeras e se fosse para fazer, faria tudo de novo, com o auxílio da modernidade e não encontraria resistências para assimilar ao processo de mudanças e revoluções tecnológicas. Isso só viria a somar com o seu trabalho.
Possui um vasto arquivo de foto­grafias, fotos que contam a história de um povo, de uma época, de uma cidade ainda pouco habitada, muitas delas já em estado de deterioração. Para recuperar este arqui­vo, há que se investir um bom dinheiro, o que é financeiramente inviável para a sua família. Fica ai então uma dica aos órgãos competentes para que se sensibilizem no sentido de restaurar este arquivo para que, através dele, parte da história de nossa ci­dade não se perca e possa ser contada às futuras gerações.

 

 

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Entrevistas: Nelio e Valdelúzia

Redação: Valdelúzia Machado